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A anta de 5 mil anos no Alentejo que tem um misterioso “buraco na pedra”.

Existem lugares no Alentejo onde o tempo parece ter outra medida.

Muito antes dos castelos medievais.
Muito antes das cidades romanas.
Muito antes de existir escrita na Península Ibérica.

Já ali existia um monumento de pedra.

Perto da Aldeia da Serra, no concelho de Redondo, encontra-se a impressionante Anta da Herdade da Candeeira, um monumento megalítico construído há cerca de 5 mil anos, durante o período Neolítico ou Calcolítico.

À primeira vista, parece apenas um conjunto de grandes pedras colocadas de forma circular.
Mas quando nos aproximamos percebemos que estamos diante de algo muito mais antigo do que quase tudo o que conhecemos.

As enormes lajes de pedra, chamadas esteios, formam uma câmara funerária onde, há milhares de anos, comunidades pré-históricas enterravam os seus mortos. Estes monumentos funcionavam como túmulos coletivos, utilizados durante gerações.

A anta possui uma câmara poligonal com cerca de três metros de diâmetro, formada por grandes blocos de xisto cuidadosamente colocados na vertical. Algumas destas pedras ainda suportam a laje superior que originalmente cobria a estrutura.

Mas há um detalhe que torna esta anta particularmente intrigante.

Num dos esteios existe um pequeno orifício oval escavado na pedra, conhecido popularmente como “buraco da alma”.

Este tipo de abertura é raro e continua a levantar perguntas entre arqueólogos e investigadores.

Para que servia?

Algumas teorias sugerem que poderia permitir rituais após o encerramento do túmulo, talvez para introduzir oferendas, alimentos ou objetos para os mortos.
Outros investigadores acreditam que poderia ter um significado simbólico ou espiritual, representando uma ligação entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos.

A verdade é que, passados cinco mil anos, o mistério continua.

Situada na paisagem tranquila da Serra d’Ossa, esta anta lembra-nos que o Alentejo é muito mais antigo do que as suas vilas, igrejas ou castelos.

É uma terra onde a história começa muito antes da história escrita.

E onde, no silêncio da paisagem, ainda se encontram pedras que guardam memórias de um tempo quase impossível de imaginar.

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