
Existem cidades onde a história está escrita nas muralhas.
E existem outras onde também se encontra nos pequenos detalhes do quotidiano, como numa simples fonte.
Em Estremoz, uma dessas histórias encontra-se na Fonte do Hospital Real de São João de Deus, uma peça discreta do património urbano, mas que atravessou diferentes momentos da cidade.
Construída entre 1834 e 1836, esta fonte não se encontrava originalmente no local onde hoje a vemos. Durante décadas esteve instalada no antigo Rossio de São Brás, um espaço público muito importante da cidade que corresponde atualmente ao Jardim Municipal de Estremoz.

Naquele tempo, as fontes públicas eram muito mais do que elementos decorativos. Eram parte essencial da vida diária.
Antes da chegada da rede moderna de abastecimento de água, que em Estremoz só surgiria já no século XX, era aqui que a população vinha buscar água. Era também daqui que partiam os aguadeiros, que transportavam água pela cidade para abastecer casas e estabelecimentos.
Mas no início do século XX, a cidade começou a reorganizar os seus espaços urbanos.
Em 1901, a fonte foi desmontada e transferida para junto do antigo Hospital Real de São João de Deus, onde permanece até hoje.
Apesar da mudança, manteve a sua identidade, uma elegante estrutura de mármore da região de Estremoz, decorada com elementos clássicos e com o brasão da cidade esculpido na pedra.
Hoje já não serve para abastecer a população como antigamente.
Mas continua a cumprir outra função, talvez ainda mais importante, lembrar uma época em que a água corria lentamente pelas fontes públicas e em que a vida da cidade se encontrava à sua volta.
Quem passa por ela talvez veja apenas uma fonte antiga.
Mas se olharmos com atenção, percebemos que ali está muito mais do que pedra e água.
Está um pequeno fragmento da memória de Estremoz.






