
Há músicas que pertencem a um tempo.
E há músicas que pertencem a um lugar.
As modas e cantigas alentejanas nasceram muito antes de haver palcos, gravações ou arquivos. Nasceram nos campos, nas tabernas, nas eiras, nas noites longas e frias, nas festas pequenas e nos trabalhos pesados. Foram feitas para acompanhar o corpo cansado, para aliviar o silêncio e para dizer aquilo que nem sempre se conseguia explicar.
O cante alentejano é isso: vozes que se juntam para fazer comunidade.
Não se canta para mostrar.
Canta-se para pertencer.
O grupo Modas & Cantigas surge como continuação natural dessa herança. Não para a transformar em espetáculo moderno, mas para a manter viva, reconhecível, próxima de quem a escuta. Cada moda que cantam já foi cantada antes, por pais, por avós, por gente que aprendeu a cantar antes de aprender a escrever. As letras falam da terra, do trabalho, da ausência, do amor simples e da saudade que sempre fez parte do Alentejo.
Ouvir o Modas & Cantigas é ouvir o Alentejo a repetir-se, não como memória distante, mas como presença.
Para que as imagens estivessem à altura dessa antiguidade viva, estas fotografias foram feitas em analógico, com um rolo Ilford a preto e branco. Não por nostalgia, mas por coerência. A película obriga a abrandar, a escolher, a esperar. Tal como estas canções. Tal como esta tradição.
Cada fotografia guarda mais do que um momento. Guarda a respiração antes do canto, o silêncio entre as vozes, os rostos que sabem que aquilo que estão a cantar não lhes pertence apenas, pertence a quem veio antes e a quem ainda há-de vir.
O Modas & Cantigas não canta o passado.
Canta a continuidade.
E enquanto houver quem cante, o Alentejo continua a reconhecer-se em si próprio.
























