
Do poder antigo à memória recente
No coração da vila de Azaruja ergue-se um dos pelourinhos mais singulares do Alentejo. Construído no século XVIII, este pelourinho não simboliza apenas autonomia municipal, mas um poder senhorial ligado aos antigos coutos das Bruceiras e, mais tarde, aos Condes das Galveias. Feito em mármore branco de Estremoz, assenta sobre degraus de pedra e mantém-se até hoje como um marco silencioso da organização social e judicial de outros tempos.
Durante séculos, o pelourinho foi o centro da vida cívica. Era ali que se afirmava autoridade, se tornava pública a justiça e se marcava o lugar da comunidade dentro do território.
Mas a poucos passos, encontra-se um outro marco, mais recente, mais íntimo, mais pesado.
Junto ao pelourinho está o memorial de Homenagem aos Combatentes da Guerra Colonial (1959–1975). Um lugar simples, mas carregado de nomes, datas e memórias. Um espaço que recorda os homens desta terra que partiram para um conflito distante, deixando casas vazias, mães à espera, cartas que demoravam a chegar e regressos que nem sempre aconteceram.
Dois monumentos.
Dois tempos.
A mesma praça.
O pelourinho fala de um poder antigo.
O memorial fala de vidas recentes.
E juntos, lembram que o Alentejo sempre viveu entre a permanência da pedra e a fragilidade de quem parte.






















