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A ilha misteriosa do Alentejo que já foi romana, militar… e quase se tornou um grande porto.

Ao largo da costa de Porto Covo, existe uma ilha que, apesar da sua dimensão discreta, guarda séculos de história.

A Ilha do Pessegueiro é hoje uma das imagens mais icónicas do litoral alentejano. Mas muito antes de ser fotografada todos os dias, já era um lugar estratégico.

A sua história começa na época do Império Romano, quando a ilha foi utilizada como centro de produção e transformação de peixe. Aqui produzia-se o famoso garum, um dos produtos mais valiosos do mundo romano, exportado para várias regiões do império.

Ainda hoje é possível encontrar vestígios dessa atividade, como tanques de salga e estruturas industriais que revelam a importância económica da ilha nesse período.

Séculos mais tarde, a importância da ilha voltou a crescer.

Durante o reinado de Filipe II de Espanha, foi construído o Forte da Ilha do Pessegueiro, integrado num sistema defensivo que incluía também o Forte de São Clemente, no continente.

O objetivo era claro, proteger esta zona da costa de ataques de piratas e corsários, numa época em que o mar era tanto uma via de comércio como uma ameaça constante.

Mas talvez o capítulo mais ambicioso da história da ilha tenha sido aquele que nunca chegou a acontecer.

Durante o reinado de D. João IV, existiram planos para transformar a Ilha do Pessegueiro num grande porto artificial, ligado ao continente.

Se esse projeto tivesse avançado, o destino da região poderia ter sido completamente diferente.

No entanto, as dificuldades técnicas e a força do mar impediram a concretização dessa ideia.

Hoje, a ilha permanece praticamente intocada.

Sem construções modernas, sem ocupação permanente, apenas com as marcas do passado e o som constante do mar.

Vista a partir da praia de Porto Covo, a Ilha do Pessegueiro parece suspensa no tempo, um lugar onde diferentes épocas da história continuam a coexistir.

E talvez seja isso que a torna tão especial.

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