
Há fotografias que nascem de planeamento.
E há outras que nascem simplesmente da vida.
No dia 10 de março de 2004 fiz 24 anos. A meia-noite chegou entre amigos, conversas e algumas cervejas, daqueles momentos simples que acabam por se transformar em memórias fortes.
Mas a noite não acabou ali.
Com a cidade já mais silenciosa, peguei na minha Canon EOS 5, carregada com um rolo Fujifilm Superia 100, e subi até ao Alto de São Bento.
Na altura, os moinhos tinham sido restaurados há pouco tempo. De noite, iluminados contra o céu escuro do Alentejo, pareciam ainda mais impressionantes. Fotografei-os em silêncio, com o vento a passar devagar entre as pedras e a sensação de estar sozinho naquele ponto alto sobre a cidade.

Dali também fotografei Évora vista de cima, as luzes espalhadas pela cidade, o contraste entre a escuridão da paisagem e os pequenos pontos de luz que revelavam a vida lá em baixo.
Mas a madrugada ainda guardava mais um momento.
Antes de ir finalmente para casa dormir, fiz uma última paragem junto do Aqueduto da Água de Prata.
Um dos símbolos mais fortes da cidade, que atravessa séculos de história e continua a marcar a paisagem de Évora.
Também ele ficou registado naquele rolo de película.
Hoje, quando olho para essas fotografias, vejo mais do que imagens noturnas da cidade. Vejo uma madrugada especial, uma mistura de juventude, amizade e aquela vontade constante de sair para fotografar, mesmo quando o resto da cidade já dormia.
Talvez seja isso que torna a fotografia analógica tão especial.
Cada fotografia guarda não apenas a luz daquele momento…
mas também a história da noite em que foi feita.





