
A Estação de Comboios de Évora é um dos espaços mais marcantes da cidade, ponto de chegada e partida de pessoas, histórias e tempos diferentes. Inaugurada no século XIX, foi durante décadas uma porta de entrada fundamental para o Alentejo, ligando Évora ao resto do país e ao mundo.
Mas este dia no 365 Days in Alentejo não é apenas sobre a estação enquanto património ferroviário. É também sobre memória pessoal. As fotografias que aqui apresento foram feitas em 2005, com a minha primeira máquina fotográfica digital. Um tempo em que tudo era descoberta: a técnica, o olhar, a paciência de esperar pela luz certa, mesmo sem saber ainda que isso já era fotografia.

Na altura, a estação era apenas um lugar onde passava tempo, onde observava pessoas, comboios, silêncios entre chegadas. Hoje, ao revisitar estas imagens, percebo que foi também ali que começou uma relação mais séria com a fotografia: aprender a enquadrar, a aceitar erros, a guardar momentos que pareciam banais, mas que o tempo transformou em importantes.
A Estação de Évora continua a ser um espaço de transição. Nada ali é definitivo: tudo está sempre a partir ou a chegar. Talvez por isso faça tanto sentido como cenário para estas imagens iniciais. Representa o início de um percurso, não apenas ferroviário, mas também criativo.
No 365 Days in Alentejo, este registo lembra que o Alentejo também se constrói através das nossas próprias histórias. Lugares que voltamos a fotografar anos depois, com outro olhar, outra experiência, mas com a mesma vontade de contar o território. Porque, tal como os comboios, também nós estamos sempre em movimento.






