
Em Montemor-o-Novo, longe dos grandes monumentos e das rotas mais óbvias, existe um lugar simples e profundamente simbólico: a chamada Árvore do Amor. Um sobreiro imponente, integrado na paisagem alentejana, que ao longo dos anos ganhou significado através da memória oral e das histórias passadas de boca em boca.
Não há placas oficiais nem datas gravadas na pedra. O que existe é tradição. Conta-se que este era um local procurado por casais, namorados e visitantes que ali iam selar promessas, trocar um beijo ou simplesmente parar um pouco, protegidos pela sombra da árvore. Segundo a lenda popular, quem ali partilhasse um gesto sincero de amor ficaria ligado para sempre.

Estas histórias, transmitidas ao longo do tempo, fazem parte da forma como o Alentejo se conta a si próprio. Aqui, a paisagem não é apenas cenário, é personagem. As árvores, os caminhos e os campos tornam-se guardiões de emoções, encontros e memórias que não precisam de ser escritas para existir.
A Árvore do Amor é também um reflexo da relação profunda entre as pessoas e a natureza. Um símbolo de permanência, de raízes fortes e de resistência, tal como os afectos que ali se celebram. No silêncio da planície, a árvore continua a crescer, indiferente ao passar dos anos, mas carregada de significados humanos.

Fotografar este lugar é aceitar o invisível. É tentar captar não só a forma da árvore, mas aquilo que ela representa. Um ponto de paragem. Um lugar de sentimento. Um espaço onde o tempo abranda e onde o amor encontra forma na simplicidade.
No 365 Days in Alentejo, este é mais um exemplo de como a identidade da região também vive destas pequenas histórias, discretas, íntimas e profundamente humanas.






