
O Alentejo não se impõe.
Revela-se.
A poucos minutos do Vimieiro, isolada no meio do campo aberto, a Ermida de Santo António de Lisboa permanece como um ponto de equilíbrio entre o visível e o invisível, entre aquilo que ainda se toca e aquilo que já só se sente.
A sua presença é discreta, quase tímida. Não há ruído, não há multidão, não há pressa. Há apenas o vento a atravessar os campos, o céu largo, e uma pequena construção branca que parece ter sido colocada ali para ensinar o valor da permanência.
Durante décadas, talvez séculos, este foi um lugar de promessas, de pedidos silenciosos, de encontros entre fé e necessidade. Hoje, continua a ser sobretudo um lugar de pausa. Um lugar onde o corpo abranda sem que alguém o mande parar.
Começar o 365 Days in Alentejo aqui não é um acaso.
É uma escolha simbólica.
Porque este projecto nasce para caminhar devagar, para observar com respeito e para construir memória, não com pressa, mas com presença.
A primeira imagem deste arquivo vivo do Alentejo é, por isso, um gesto simples:
olhar.
Parar.
E deixar o lugar falar.
Aqui começa um ano inteiro de registos,
mas também começa um compromisso:
guardar o Alentejo como ele é, calmo, honesto e inteiro.
O caminho inicia-se em silêncio.
A Ermida de Santo António de Lisboa, no Vimieiro, fica a apenas 41 km de Évora, cerca de 1 h de carro devagar, como pede o Alentejo.
De Lisboa são cerca de 142 km, quase uma viagem que obriga a abrandar, a olhar para os campos e a respirar o silêncio.
E de Faro são aproximadamente 260 km, uma distância que transforma a ida numa verdadeira travessia pelo coração do Alentejo, entre planícies douradas e pequenas aldeias que parecem esquecidas no tempo.













