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Lavadouros de Fazendas do Cortiço

Onde a vida se lavava à mão

Em Fazendas do Cortiço, no concelho de Montemor-o-Novo, existe um espaço que durante décadas fez parte do quotidiano da aldeia: o lavadouro público. Muito antes da água canalizada e das máquinas de lavar, este era um dos centros silenciosos da vida comunitária.

Aqui lavava-se a roupa, mas também se trocavam histórias, se falava da vida, se partilhavam preocupações e se criavam laços. Era um lugar de trabalho, mas também de encontro. Um espaço simples, construído para servir, que acabou por se tornar parte da identidade da aldeia.

Com o passar dos anos, estes lugares foram perdendo uso e presença. Mas em Fazendas do Cortiço, o lavadouro ganhou uma nova vida através de uma intervenção artística integrada no projecto “Estendal”, uma iniciativa do concelho de Montemor-o-Novo que procurou revalorizar antigos lavadouros públicos, transformando-os em espaços de arte e memória.

A intervenção foi realizada pelos Los Pepes (Meggie Prata e Francisco Leal), um casal de artistas urbanos portugueses que trouxeram cor e uma nova leitura ao espaço sem apagar a sua essência. Pelo contrário: a arte surge aqui como uma forma de proteger a memória colectiva, de lembrar que este foi um lugar essencial para muitas gerações.

Os lavadouros de Fazendas do Cortiço não são apenas um edifício antigo.
São um testemunho de um tempo em que a vida se fazia mais devagar, mais próxima e mais partilhada.

No Alentejo, até os gestos mais simples deixaram marcas.
E algumas dessas marcas continuam à vista, à espera de quem as queira ver.

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