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O esqueleto branco do Alentejo

Há lugares onde a paisagem se abre como um livro antigo.
Em Vila Viçosa, a terra revela-se por dentro.

As pedreiras de extracção de mármore são feridas abertas na planície, mas são também a origem de uma das maiores riquezas do Alentejo. É daqui que sai o mármore que viaja para o mundo inteiro, transformado em colunas, altares, escadarias, fachadas e monumentos que atravessam séculos.

O silêncio dentro da pedreira é denso. O branco da pedra reflete a luz como se o chão guardasse o próprio sol. As paredes verticais mostram camadas de tempo, cada linha marcando milhões de anos de história comprimidos numa rocha que hoje sustenta cidades.

Vila Viçosa construiu a sua identidade sobre esta pedra. O Paço Ducal, as igrejas, os palácios e até os passeios contam a mesma história: tudo começa aqui, no interior da terra. Cada bloco extraído é um fragmento do Alentejo que parte, mas que leva consigo a memória desta paisagem.

Fotografar uma pedreira é fotografar o que normalmente não se vê. É registar a origem, o início de um caminho que começa no silêncio e acaba em lugares onde a pedra ganha forma, beleza e permanência.

Aqui, o Alentejo mostra o seu esqueleto, e nele reconhecemos a força tranquila de uma região que constrói o mundo, pedra a pedra.

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