Descubra a tiragem da cortiça no Alentejo, um ofício tradicional que exige experiência, precisão e respeito pelo sobreiro. Um vídeo do projeto 365 Days in Alentejo.

Há trabalhos que fazem parte da paisagem do Alentejo. E há homens que, com as suas mãos, ajudam a manter viva uma tradição que atravessa gerações.
A tiragem da cortiça é um desses trabalhos.
Nos montados alentejanos, entre sobreiros centenários e o silêncio dos campos, repete-se um ritual que exige força, conhecimento, experiência e, acima de tudo, respeito pela árvore.
Com um machado próprio, os tiradores abrem cuidadosamente a casca do sobreiro e separam a cortiça do tronco. Cada movimento é pensado, cada golpe exige precisão. O objetivo é retirar a cortiça sem danificar a parte viva da árvore, permitindo que continue a produzir durante muitos anos.
É um trabalho duro, muitas vezes realizado sob o calor intenso do verão alentejano, mas também um ofício que guarda um conhecimento transmitido de geração em geração.
Uma árvore que dá sem precisar de ser cortada
O sobreiro (Quercus suber) é uma das árvores mais emblemáticas do Alentejo e uma peça fundamental do montado, um ecossistema onde convivem a atividade humana, a agricultura, a pastorícia e a biodiversidade.
A primeira extração da cortiça acontece, normalmente, quando o sobreiro atinge pelo menos 25 anos e reúne as condições legais necessárias. Depois, a cortiça só pode voltar a ser retirada após um intervalo mínimo de nove anos.
Ao contrário do que acontece com muitas outras matérias-primas florestais, a cortiça é extraída sem abater a árvore.
É esta capacidade de regeneração que torna o sobreiro tão especial.
As mãos que conhecem cada sobreiro
Mas falar de cortiça é também falar de pessoas.
Dos homens que percorrem os montados, que conhecem as árvores pelo olhar e que sabem, pela experiência, onde colocar o machado e como separar cada prancha de cortiça.
É um conhecimento que não se aprende apenas nos livros.
Aprende-se no campo, ao lado de quem já o fazia antes, repetindo gestos que atravessaram décadas e gerações.
Por detrás de cada rolha, de cada peça de cortiça e de cada produto que chega às nossas mãos, existe também este trabalho.
Um trabalho que merece ser visto, conhecido e valorizado.
O Alentejo que quero continuar a mostrar
Foi precisamente esse lado humano que procurei registar neste vídeo.
Mais do que mostrar como se retira a cortiça, quis guardar imagens de um ofício profundamente ligado à nossa terra.
Os gestos, as ferramentas, o esforço e a relação entre o homem e a natureza.
Porque o Alentejo não é feito apenas de paisagens bonitas, aldeias brancas ou monumentos históricos.
O Alentejo também é feito das pessoas que o trabalham.
E são essas histórias, tantas vezes discretas e longe dos grandes centros, que quero continuar a descobrir e a partilhar através do projeto 365 Days in Alentejo.
🎬 Veja o vídeo e acompanhe este trabalho tradicional nos montados alentejanos.
365 Days in Alentejo — Um território, 365 dias, milhares de histórias por contar.




