
Há lugares onde o tempo não desaparece.
Fica.
No antigo lavadouro público de Santiago do Escoural, há paredes que voltaram a ganhar voz, não com água, nem com roupa, mas com memória.
O Mural das Lavadeiras, criado pela artista Mariana Duarte Santos, devolve vida a um espaço que durante décadas foi ponto de encontro, trabalho e partilha. Um lugar onde mulheres se juntavam diariamente, entre tanques de pedra, sabão e conversas que faziam parte da rotina da aldeia.
Hoje, o silêncio tomou conta do lavadouro.
Mas nas paredes, elas continuam lá.
Pintadas a preto e branco, inspiradas em fotografias antigas reais, estas figuras não são apenas representação,são presença. São memória transformada em imagem. São fragmentos de uma vida que existiu ali, naquele exato lugar.
O mural integra o projeto “Estendal”, que levou arte urbana a antigos lavadouros do concelho de Montemor-o-Novo, dando-lhes um novo significado. Aqui, a água deixou de correr… mas a história continua.
Há algo de profundamente simbólico neste espaço.
Um lugar que antes servia para lavar roupa, hoje serve para guardar memórias.
E talvez seja isso que torna este mural tão especial.
Não é apenas arte.
É respeito.
É identidade.
É o passado a recusar desaparecer.
365 Days in Alentejo 📷






