
A Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus, no Campinho, é um dos pontos centrais da vida religiosa e comunitária desta aldeia do concelho de Reguengos de Monsaraz. Construída no século XX, apresenta uma arquitectura sóbria, marcada por linhas simples e uma presença firme no tecido urbano, refletindo a importância da igreja enquanto espaço de encontro, culto e identidade local.
Dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, esta igreja representa uma devoção profundamente enraizada na religiosidade portuguesa, associada à proximidade, à proteção e ao cuidado. Ao longo dos anos, foi aqui que se celebraram missas, festas religiosas e momentos importantes da vida da comunidade, num território moldado pelo trabalho agrícola e pelo ritmo calmo do Alentejo.

Mas este lugar tem também um significado pessoal. Foi aqui que, há 22 anos, fiz algumas das minhas fotografias, numa altura em que a fotografia era inteiramente analógica. Usei uma Canon EOS 5 e um rolo Fujifilm Superia 100, confiando apenas na luz, na experiência e na espera pelo resultado. Cada disparo era pensado. Cada fotografia era uma decisão.
Revisitar estas imagens hoje é revisitar um tempo diferente, não só da aldeia, mas também da minha própria relação com a fotografia. Um tempo em que se aprendia a olhar com mais calma, a aceitar o erro e a confiar no processo. A igreja permanece, quase inalterada. O fotógrafo mudou. O mundo mudou. Mas a imagem continua a ligar esses momentos.
No 365 Days in Alentejo, esta fotografia não fala apenas de um edifício religioso. Fala da passagem do tempo, da memória inscrita nos lugares e da fotografia enquanto ferramenta para preservar aquilo que, de outra forma, se perderia. Um encontro entre fé, território e um negativo que atravessou mais de duas décadas.






