
Houve um tempo em que fotografar era confiar.
Em 2003, voltei a participar na maratona fotográfica de Montemor-o-Novo. Um conceito simples, mas exigente: davam-nos um rolo… e o resto dependia de nós.
Sem ecrãs.
Sem ver resultados.
Sem segundas tentativas.
Só olhar, instinto e decisão.
As fotografias tinham de ser feitas dentro do concelho. Isso obrigava-nos a conhecer, a explorar, a procurar histórias nos detalhes mais simples, nas ruas, nas pessoas, na luz.
Era mais do que fotografar.
Era estar presente.
Cada disparo era pensado. Cada enquadramento tinha peso. Porque sabíamos que aquele momento, se falhasse, não voltava.
E talvez fosse isso que tornava tudo mais verdadeiro.

Montemor-o-Novo, nesse dia, não era apenas cenário.
Era desafio.
Era descoberta.
Era escola.
Hoje, ao rever essas imagens, não vejo apenas fotografias.
Vejo um tempo em que estava a aprender.
A errar.
A insistir.
E a perceber, pouco a pouco, que fotografar o Alentejo não é só registar o que existe.
É sentir o que está à frente da lente.
365 Days in Alentejo 📷





